TJMG, Apelação Cível 5264646-98.2024.8.13.0024
APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE COBRANÇA DE MENSALIDADES EDUCACIONAIS. GRATUIDADE DE JUSTIÇA. HIPOSSUFICIÊNCIA COMPROVADA. PRELIMINAR DE DESCONSIDERAÇÃO DA REVELIA. CONTESTAÇÃO APRESENTADA POR ADVOGADO SEM PROCURAÇÃO. INTIMAÇÃO PARA REGULARIZAR A REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL, SOB PENA DE REVELIA, NÃO ATENDIDA PELA RÉ. PRELIMINAR REJEITADA. MÉRITO. INADIMPLÊNCIA EM PERÍODO DE MATRÍCULA VIGENTE. ALEGAÇÃO DE INFREQUÊNCIA POR PERDA DE CONVÊNIO. AUSÊNCIA DE COMUNICAÇÃO, DE CANCELAMENTO OU DE RENÚNCIA FORMAL POR PARTE DA ALUNA. SERVIÇOS MANTIDOS À DISPOSIÇÃO DA DISCENTE, EM SINTONIA COM O CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COBRANÇA DEVIDA. PRELIMINAR REJEITADA E RECURSO PROVIDO EM PARTE.
I. CASO EM EXAME.
1. Apelação interposta contra sentença que, em ação de cobrança, julgou procedente o pedido para condenar a ré ao pagamento de mensalidades devidas referentes ao período de agosto a dezembro de 2022.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO.
2. Há três questões em discussão: (i) saber se deve foi aplicada corretamente a revelia; (ii) saber se, comprovada a matrícula e a prestação do serviço, é devida a cobrança das mensalidades do período, apesar da alegação de infrequência por perda de convênio; e (iii) saber se é caso de concessão de gratuidade de justiça.
III. RAZÕES DE DECIDIR.
3. A apresentação de contestação desacompanhada de procuração, seguida de intimação para regularização não atendida, autoriza a desconsideração da peça e a incidência da revelia.
4. A controvérsia possui natureza predominantemente obrigacional (cobrança por serviço contratado), e o fato de se tratar de prestação educacional não impede a aplicação dos efeitos processuais da revelia.
5. Com a revelia e a documentação apresentada nos autos (contrato de prestação de serviços, histórico escolar e ficha escolar), mantém-se a procedência da cobrança referente ao semestre em que houve matrícula.
6. A alegação de interrupção de frequência por perda de convênio não afasta, por si, a obrigação de pagar, pois incumbia à aluna comunicar a instituição e buscar cancelamento da matrícula ou renegociação.
7. Reconhecida a gratuidade de justiça diante da comprovação da hipossuficiência nos autos.
IV. DISPOSITIVO E TESE.
8. Preliminar rejeitada. Recurso conhecido e provido em parte para deferir a gratuidade de justiça.
Tese de julgamento: “1. A contestação apresentada sem procuração, não regularizada após intimação, deve ser desconsiderada, com incidência dos efeitos da revelia. 2. Comprovadas a matrícula e a contratação de serviços educacionais, é devida a cobrança das mensalidades do período quando não formalizado cancelamento ou renegociação, ainda que a parte alegue não ter frequentado as aulas. 3. Evidenciada a hipossuficiência da apelante, o deferimento da gratuidade de justiça é medida de rigor".