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Decisão monocrática · 2.º grau · Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul

TJRS, Agravo de Instrumento 5250898-30.2026.8.21.7000

Órgão julgador
4ª Câmara Cível
Julgamento
18/08/2026
Publicação
DJEN 20/08/2026
Número único (CNJ)
5250898-30.2026.8.21.7000
Inteiro teor

Ementa

AGRAVO DE INSTRUMENTO. DIREITO PÚBLICO NÃO ESPECIFICADO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. COMPENSAÇÃO DE HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS COM CRÉDITO EM PRECATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO PROVIDO.

I. CASO EM EXAME:

1. Agravo de instrumento interposto pelo Município de Porto Alegre contra decisão que, em cumprimento de sentença, deferiu a compensação dos honorários advocatícios fixados em favor da Fazenda Pública Municipal com o crédito principal dos exequentes inscrito em precatório.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO:

1. A questão em discussão consiste em saber se é possível compensar os honorários sucumbenciais fixados em favor da Fazenda Pública com o crédito principal dos exequentes inscrito em precatório.

III. RAZÕES DE DECIDIR:

1. A compensação pressupõe reciprocidade subjetiva entre credor e devedor na mesma relação jurídica, nos termos do art. 368 do CC/2002.

2. O devedor do crédito inscrito em precatório é o Município, e os credores são os exequentes. Já os honorários sucumbenciais têm como devedores os exequentes e como credores os Procuradores Municipais.

3. O art. 6º da Lei Municipal nº 13.474/2023, combinado com a LC Municipal nº 701/2012 e com o art. 85, § 19, do CPC, atribui a titularidade dos honorários sucumbenciais aos ocupantes do cargo de Procurador Municipal, e não ao ente público.

4. A ausência de identidade entre os sujeitos das relações obrigacionais em confronto impede a compensação.

IV. DISPOSITIVO:

1. Recurso provido, para afastar a compensação da verba honorária com o crédito principal inscrito em precatório.