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Acórdão · 2.º grau · Tribunal de Justiça de Roraima

TJRR, Habeas Corpus Criminal 9002278-91.2026.8.23.0000

Órgão julgador
Câmara Criminal
Publicação
DJEN 11/09/2026
Número único (CNJ)
9002278-91.2026.8.23.0000

Ementa

HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO - PRISÃO

PREVENTIVA - EXAME DE MÉRITO APÓS AFASTAMENTO DE

PREJUDICIALIDADE PELO STJ - SEGREGAÇÃO JUSTIFICADA PELA

GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA - GRAVIDADE CONCRETA E MODUS

OPERANDI - DISPUTA TERRITORIAL DE TRÁFICO - INVIABILIDADE DE

EXTENSÃO DAS CAUTELARES IMPOSTAS AOS CORRÉUS - SITUAÇÕES

FÁTICO-PROCESSUAIS

DISTINTAS

-

CONDIÇÕES

PESSOAIS

FAVORÁVEIS - IRRELEVÂNCIA NO CASO CONCRETO - INSUFICIÊNCIA

DE CAUTELARES DIVERSAS. ORDEM DENEGADA.

I. CASO EM EXAME

1. Habeas corpus submetido a julgamento de mérito por determinação do Superior

Tribunal de Justiça, impetrado contra decisão proferida em audiência de instrução

e julgamento que indeferiu o pleito de revogação da prisão preventiva de paciente

acusado de homicídio qualificado.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

2. Há três questões em discussão: (i) saber se a decisão que manteve a prisão

preventiva possui fundamentação idônea calcada em elementos concretos; (ii)

saber se o paciente faz jus à extensão do benefício concedido aos corréus, nos

moldes do art. 580 do Código de Processo Penal; e (iii) saber se as medidas

cautelares diversas são suficientes para tutelar a ordem pública, considerando as

condições pessoais do paciente.

III. RAZÕES DE DECIDIR

3. A decisão que indeferiu a revogação da custódia cautelar encontra-se

devidamente fundamentada na necessidade de garantia da ordem pública,

amparada na extrema gravidade concreta da conduta e na periculosidade social do

paciente.

4. O crime de homicídio qualificado foi premeditado pelo paciente e seus

comparsas em contexto de disputa territorial ligada ao tráfico de drogas e

executado mediante concurso de agentes, denotando modus operandi violento.

5. O pleito de extensão do benefício concedido a corréus (art. 580 do CPP) é

inviável por ausência de estrita identidade fático-processual. Enquanto os corréus

atuaram apenas com auxílio material e logístico, o paciente é apontado como o

autor direto dos disparos de arma de fogo, o que evidencia sua maior

periculosidade e risco de reiteração delitiva.

6. Diante da demonstração fática da gravidade da conduta e do modus operandi

sofisticado e violento, evidencia-se a insuficiência das medidas cautelares

alternativas para a tutela da ordem pública.

7. Eventuais condições pessoais favoráveis não possuem o condão de, por si sós,

elidir o cárcere cautelar quando devidamente demonstrados o fumus comissi

delicti e o periculum libertatis.

IV. PARECER MINISTERIAL

8. O Ministério Público de 2.º grau opinou pela denegação da ordem, tendo em

vista a gravidade concreta dos fatos.

V. DISPOSITIVO E TESE

9. Ordem denegada, em consonância com o parecer ministerial. Dispositivos

relevantes citados: CPP, arts. 282, § 6º, 312, § 2º, 319 e 580.

Jurisprudência relevante citada: STJ, HC n.º 1124284/RR, Rel. Min. Ribeiro

Dantas; STJ, HC 847857/PI (2023/0296375-0), Rel. Min. Daniela Teixeira,

Quinta Turma, j. 15/10/2024; TJMG, HC 1.0000.23.264649-7/000, Rel. Des.

Cássio Salomé, 7.ª Câmara Criminal, j. 08/11/2023; STJ, AgRg no RHC

156.020/RS, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF 1.ª

Região), Sexta Turma, j. 08/02/2022.