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Acórdão · 2.º grau · Tribunal de Justiça de Goiás

TJGO, Tutela Antecipada Antecedente 5304809-84.2023.8.09.0051

Órgão julgador
10ª Câmara Cível
Publicação
DJEN 12/05/2026
Número único (CNJ)
5304809-84.2023.8.09.0051
Inteiro teor

Ementa

DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE NÃO FAZER. ALEGADAS OMISSÕES QUANTO À REGULARIDADE DE CONDUTA ANTERIOR À NOTIFICAÇÃO E À RELEVÂNCIA DE SENTENÇA PENAL ABSOLUTÓRIA. RECURSOS CONHECIDOS E DESPROVIDOS.

I. CASO EM EXAME

1. Embargos de declaração opostos contra acórdão que negou provimento a apelações cíveis e manteve sentença de procedência em ação de obrigação de não fazer, para determinar que as rés se abstivessem de interferir na gestão administrativa e financeira de sociedade empresária autora.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

2. Há duas questões em discussão: (i) saber se o acórdão foi omisso ao não declarar expressamente a regularidade da atuação de prestadora de serviços financeiros no período anterior à notificação extrajudicial, à luz da boa-fé e da natureza da tutela inibitória; e (ii) saber se houve omissão pela ausência de exame de sentença penal absolutória invocada como fato superveniente relevante para afastar a interferência administrativa e comprovar a ciência da parte contrária acerca da contratação de gestão de recebíveis.

III. RAZÕES DE DECIDIR

3. Não há omissão quanto à primeira alegação, porque o acórdão embargado enfrentou a controvérsia sob o enquadramento jurídico da tutela inibitória, cuja natureza preventiva e objetiva torna irrelevante a boa-fé subjetiva do agente para a imposição da obrigação de não fazer.

4. A pretensão de obter declaração expressa sobre a licitude da conduta anterior à notificação não constitui ponto indispensável ao julgamento, pois a controvérsia foi solucionada com fundamento na necessidade de cessação da interferência a partir da inequívoca ciência do conflito sobre a titularidade dos créditos.

5. Também não há omissão quanto à sentença penal absolutória, pois a independência entre as instâncias afasta a vinculação do juízo cível, salvo nas hipóteses de inexistência do fato ou negativa de autoria, não configuradas no caso.

6. A absolvição penal por insuficiência de prova do dolo não impede o reconhecimento da ilicitude civil, fundada em pressupostos próprios, especialmente na autonomia patrimonial da pessoa jurídica e na prevalência da vontade do administrador legalmente constituído.

7. Os embargos de declaração não se prestam à rediscussão do mérito do julgamento nem à modificação do resultado com base em inconformismo da parte vencida, ausentes os vícios previstos no art. 1.022 do CPC.

IV. DISPOSITIVO E TESE

8. Recursos conhecidos e rejeitados.

Tese de julgamento: “1. Na tutela inibitória, a boa-fé subjetiva do agente não afasta a imposição da obrigação de não fazer, quando comprovada a necessidade de cessação do ilícito. 2. Não há omissão quando o acórdão resolve a controvérsia com fundamento jurídico suficiente, ainda que deixe de acolher declaração expressa pretendida pela parte sobre aspecto irrelevante ao desfecho da causa. 3. A sentença penal absolutória por insuficiência de provas do dolo não vincula o juízo cível nem impede o reconhecimento de ilicitude civil fundada em pressupostos autônomos. 4. Embargos de declaração não se prestam à rediscussão do mérito, na ausência dos vícios do art. 1.022 do CPC.”

Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 93, IX; CC, art. 49-A; CPC, arts. 489, 497 e 1.022; CPP, art. 386, VII.

DUPLO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA APELAÇÃO CÍVEL N. 5304809-84.2023.8.09.0051

COMARCA DE GOIÂNIA

1º EMBARGANTE: EDUCBANK PAGAMENTOS EDUCACIONAIS S.A.

2º EMBARGANTE: RG EMPREENDIMENTOS EDUCACIONAIS LTDA.

1º EMBARGADO: RG EMPREENDIMENTOS EDUCACIONAIS LTDA.

2º EMBARGADO: EDUCBANK PAGAMENTOS EDUCACIONAIS S.A.

RELATORA: STEFANE FIÚZA CANÇADO MACHADO – Juíza Substituta em 2º Grau

EMENTA: DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE NÃO FAZER. ALEGADAS OMISSÕES QUANTO À REGULARIDADE DE CONDUTA ANTERIOR À NOTIFICAÇÃO E À RELEVÂNCIA DE SENTENÇA PENAL ABSOLUTÓRIA. RECURSOS CONHECIDOS E DESPROVIDOS.

I. CASO EM EXAME

1. Embargos de declaração opostos contra acórdão que negou provimento a apelações cíveis e manteve sentença de procedência em ação de obrigação de não fazer, para determinar que as rés se abstivessem de interferir na gestão administrativa e financeira de sociedade empresária autora.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

2. Há duas questões em discussão: (i) saber se o acórdão foi omisso ao não declarar expressamente a regularidade da atuação de prestadora de serviços financeiros no período anterior à notificação extrajudicial, à luz da boa-fé e da natureza da tutela inibitória; e (ii) saber se houve omissão pela ausência de exame de sentença penal absolutória invocada como fato superveniente relevante para afastar a interferência administrativa e comprovar a ciência da parte contrária acerca da contratação de gestão de recebíveis.

III. RAZÕES DE DECIDIR

3. Não há omissão quanto à primeira alegação, porque o acórdão embargado enfrentou a controvérsia sob o enquadramento jurídico da tutela inibitória, cuja natureza preventiva e objetiva torna irrelevante a boa-fé subjetiva do agente para a imposição da obrigação de não fazer.

4. A pretensão de obter declaração expressa sobre a licitude da conduta anterior à notificação não constitui ponto indispensável ao julgamento, pois a controvérsia foi solucionada com fundamento na necessidade de cessação da interferência a partir da inequívoca ciência do conflito sobre a titularidade dos créditos.

5. Também não há omissão quanto à sentença penal absolutória, pois a independência entre as instâncias afasta a vinculação do juízo cível, salvo nas hipóteses de inexistência do fato ou negativa de autoria, não configuradas no caso.

6. A absolvição penal por insuficiência de prova do dolo não impede o reconhecimento da ilicitude civil, fundada em pressupostos próprios, especialmente na autonomia patrimonial da pessoa jurídica e na prevalência da vontade do administrador legalmente constituído.

7. Os embargos de declaração não se prestam à rediscussão do mérito do julgamento nem à modificação do resultado com base em inconformismo da parte vencida, ausentes os vícios previstos no art. 1.022 do CPC.

IV. DISPOSITIVO E TESE

8. Recursos conhecidos e rejeitados.

Tese de julgamento: “1. Na tutela inibitória, a boa-fé subjetiva do agente não afasta a imposição da obrigação de não fazer, quando comprovada a necessidade de cessação do ilícito. 2. Não há omissão quando o acórdão resolve a controvérsia com fundamento jurídico suficiente, ainda que deixe de acolher declaração expressa pretendida pela parte sobre aspecto irrelevante ao desfecho da causa. 3. A sentença penal absolutória por insuficiência de provas do dolo não vincula o juízo cível nem impede o reconhecimento de ilicitude civil fundada em pressupostos autônomos. 4. Embargos de declaração não se prestam à rediscussão do mérito, na ausência dos vícios do art. 1.022 do CPC.”

Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 93, IX; CC, art. 49-A; CPC, arts. 489, 497 e 1.022; CPP, art. 386, VII.

RELATÓRIO E

Dados do julgamento

Acórdão

435, que, à unanimidade, negou provimento aos recursos de apelação interpostos pelas embargantes, mantendo a sentença de procedência da Ação de Obrigação de Não Fazer.